Analista explica por que o Brasil transforma o cinema em arquibancada na busca por pertencimento global
O Brasil não assiste ao Oscar; o Brasil entra em campo. A indicação de produções como “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” não mobilizou apenas cinéfilos, mas uma nação inteira que transformou as redes sociais em verdadeiras arquibancadas inflamadas. Memes, campanhas espontâneas e torcida organizada provam que, em pouco tempo, a conversa deixou de ser apenas sobre cinema para se tornar algo maior.
É nesse cenário de efervescência emocional que o Dr. Rafael Schieber (CRP 04/29650), psicólogo clínico e psicanalista, nos convida a entender os mecanismos invisíveis que movem esse comportamento.
Rafael Schieber, que dedica sua prática clínica à compreensão das profundezas da psique individual e coletiva, observa que esse fenômeno revela processos psicológicos fundamentais. Para o especialista, o que vivemos é uma dança entre dois conceitos: “Identificação acontece quando vemos algo de nós no outro; projeção acontece quando depositamos nele desejos e expectativas”. salientou Rafael. Quando figuras como Fernanda Torres e Wagner Moura ganham as telas do mundo, não celebramos apenas o talento deles; celebramos, na verdade, a possibilidade de também sermos vistos e validados.
Essa necessidade de reconhecimento externo funciona como um espelho para um país que produz uma potência cultural gigantesca, mas que historicamente se percebe como periférico no cenário global. Schieber, em suas análises sobre a identidade latina, já apontava o estranhamento que o brasileiro sente diante da própria imagem, buscando no olhar estrangeiro a confirmação de sua própria grandeza. Segundo ele, “Ao ver o outro nos reconhecer, passamos a nos reconhecer também”. É o desejo profundo de que nossa narrativa tenha valor universal, sem as amarras da invisibilidade histórica.
O impacto desse engajamento, que coloca o público brasileiro como um dos mais apaixonados do mundo nas redes, é, para o psicanalista, um sintoma de pertencimento. No fundo, quando o Oscar vira Copa do Mundo, o placar que buscamos não é apenas o da estatueta de ouro, mas o da legitimação de que nossa cultura tem um lugar de direito na mesa das grandes nações. Schieber pontua que esse movimento é um desejo coletivo muito profundo de ser notado pela aldeia global.

Refletindo estrategicamente, a análise de Rafael Schieber em sua página no linkedin nos provoca a pensar: por que precisamos tanto desse aval? O futuro da nossa identidade não espera por um envelope em Los Angeles; ele exige que aprendamos a nos enxergar aqui dentro primeiro.
O legado dessa mobilização ensina que nossa cultura não pede licença, ela ocupa espaço. O mercado e a sociedade reconhecem: a visão estratégica de Schieber eleva o debate sobre quem somos. De um país que se via à margem para uma nação protagonista nas telas e na vida, a transformação possível agora é real. Investir em nossa própria narrativa é investir no futuro do Brasil. Afinal, ser visto pelo mundo é a consequência natural de quando finalmente aprendemos a nos enxergar por conta própria.




















