O uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, ganhou grande visibilidade nos últimos meses e passou a ocupar espaço central nas discussões sobre emagrecimento. Embora tenham indicações clínicas bem definidas, esses fármacos vêm sendo utilizados de forma indiscriminada, muitas vezes sem prescrição ou acompanhamento médico, o que acende um alerta entre especialistas da área da saúde.
Para a nutróloga Dra. Marina Ramos Pupio, o principal ponto de atenção está na forma como esses medicamentos são encarados pelo público. Segundo ela, não se trata de uma solução simples ou imediata para perda de peso.
“Estamos falando de medicações que atuam diretamente no sistema hormonal e metabólico do organismo. O uso sem avaliação individualizada pode trazer riscos importantes à saúde”, afirma.

Ozempic e Mounjaro atuam na regulação do apetite, na sensação de saciedade e no controle glicêmico, mecanismos que influenciam diretamente o metabolismo. No entanto, a médica ressalta que essa ação sistêmica exige critério na indicação.
“Cada paciente apresenta um histórico clínico diferente. É fundamental avaliar exames, composição corporal, rotina e objetivos antes de considerar qualquer tratamento medicamentoso”, explica Dra. Marina.
A nutróloga também destaca que a popularização das canetas emagrecedoras foi impulsionada, em grande parte, pelas redes sociais, o que contribui para o uso sem orientação adequada.
“Existe uma banalização do tratamento. Muitas pessoas iniciam o uso por indicação informal, sem compreender que estão lidando com medicamentos que podem causar efeitos colaterais e impactos metabólicos relevantes”, pontua.
Entre os riscos mais comuns, a especialista cita a perda de peso sem qualidade, quando ocorre redução significativa de massa muscular e possíveis deficiências nutricionais.
“Emagrecer não é apenas reduzir números na balança. Quando não há acompanhamento médico e nutricional, o paciente pode comprometer sua saúde metabólica e dificultar a manutenção dos resultados a longo prazo”, ressalta.
Outro ponto abordado pela Dra. Marina é a falsa percepção de que a medicação substitui mudanças no estilo de vida. Para ela, esse é um dos maiores equívocos em torno do tema.
“A caneta pode ser uma ferramenta dentro de um plano terapêutico, mas não funciona de forma isolada. Alimentação equilibrada, sono adequado, atividade física e acompanhamento contínuo continuam sendo indispensáveis”, reforça.
A médica enfatiza ainda a importância do monitoramento durante todo o tratamento, com ajustes de dose e reavaliações periódicas.
“O acompanhamento médico é o que garante segurança, eficácia e prevenção de complicações. Não é um tratamento que deve ser feito sem supervisão profissional”, destaca.
Por fim, Dra. Marina Ramos Pupio reforça que o debate sobre Ozempic, Mounjaro e outras canetas emagrecedoras precisa ser conduzido com informação de qualidade e responsabilidade.
“São medicamentos que podem ter benefícios quando bem indicados, mas o emagrecimento saudável exige uma abordagem ampla, baseada em ciência, acompanhamento médico e cuidado com a saúde como um todo”, conclui.

















